Eu olhei a borboleta pousada no portão, como a observar as flores, atenta. Nem um movimentinho além, nenhum bater de asas precipitado.
Ela, dona borboleta, a aprender com as rosas e margaridas o enfeitar das cores, era toda aprendiz à espreita do mestre, interessada no ofício de colorir.
Que espetáculo mais bonito o fim da aula! Escondeu o corpinho esquisito embaixo das asas que mais pareciam pétalas levadas pelo vento, com um sem-fim de tons. Sumiu jardim afora...
Segredo descoberto: Será que as flores são borboletas que se cansaram de passear?
_Marcelo Camelo - "Liberdade"
3 comentários:
adorei a maneira de pensar... de repente é isso mesmo: "apenas cansaram de voar..."
O lirismo que vi aqui me lembrou Caeiro, Cecília.
Parabéns pelo talento que nunca fenece!
Que lindas palavras e acho mesmo que ultimamente estou mais para flor do que borboleta.
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